Estudo, Português e Literatura

Figuras de Linguagem – Resumo e Exemplos

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Figuras de linguagem são algumas formas de expressar as mensagens faladas ou escritas, tornando-as mais expressivas. Fazem parte das figuras de linguagem as figuras de som, de construção, de pensamento e de palavras.

Figuras de Linguagem

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Vamos entender um pouco mais sobre cada uma dessas figuras de linguagem:

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Figuras de som

As figuras de som são aquelas aplicadas quando nos expressamos verbalmente, quando estamos falando. São figuras de som:

  • Aliteração, que é a repetição ordenada de mesmos sons (Esperando, parada, pregada na pedra do porto);
  • Assonância, que consiste n repetição ordenada de sons vocálicos idênticos (Sou um mulato nato no sentido lado);
  • Pronomásia, que é a aproximação das palavras de sons parecidos, mas com significados diferentes (Eu que passo, penso e peço).

Figuras de construção

As figuras de construção podem ser usadas tanto na linguagem escrita como falada, consistindo de algumas características específicas:

  • Elipse, que é a omissão de um termo que pode ser identificado através do contexto (No quarto, apenas duas ou três velas – omissão de havia);
  • Zeugma, que consiste na elipse de um termo que já apareceu anteriormente na frase (Ela prefere filmes de terror, eu, de aventuras);
  • Polissíndeto, que é a repetição de conectivos, ligando termos da oração ou elementos do período (E sob um sol escaldante, e sob poucas nuvens, e sob pontes e viadutos…);
  • Inversão: é a mudança da ordem natural dos termos na frase (De tudo ficou um pouco. Do meu medo. Do meu asco);
  • Silepse: concordância não com o que vem explicado, expresso na frase, mas com o que está implícito nela (Os Lusíadas glorificou a literatura portuguesa);
  • Anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Isso ocorre normalmente quando se inicia uma determinada construção sintática, optando-se por outra na sequência (A morte, não sei realmente se ela existe);
  • Pleonasmo: uso da redundância para reforçar a mensagem (E rir meu riso, e derramar meu prato);
  • Anáfora: repetição de uma mesma palavra no início de versos ou de frases (Amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente).

Figuras de pensamento

As figuras de pensamento são meios de expressar uma ideia através de condições diferenciadas:

  • Antítese: é a aproximação de termos contrários, de palavras que se opõem pelo seu significado (Os campos têm vida e morte);
  • Ironia: uma figura que apresenta um termo em sentido oposto ao seu significado, tendo sentido crítico ou humorístico (A excelente professora era mestra em castigar crianças);
  • Eufemismo: substituição de uma expressão por outra menos rude, suavizando uma afirmação desagradável (Enriqueceu por meios ilícitos);
  • Hipérbole: exagero de uma ideia com finalidade enfática (Estou morrendo de fome);
  • Prosopopeia: atribuir a seres inanimados predicativos próprios de seres animados (O campo olhava os jogadores, esperando o jogo começar);
  • Gradação ou clímax: apresentação de ideias em progressão ascendente ou descendente (Um peito mortificado de desejos. Latejando, batendo, restrugindo);
  • Apóstrofe: interpelação enfática a alguém ou a alguma coisa (Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus!).

Figuras de palavras

São figuras de palavras o uso ou troca de palavras para expressar uma ideia:

  • Metáfora: emprego de um termo com significado diferente do usual, tendo por base um relação de similaridade, com um sentido figurado, subentendendo-se o que se pretende expressar (Meu pensamento é um livro aberto);
  • Metonímia: transposição de significado de uma palavra que passa a ser usada com outro significado, explorando uma relação lógica entre os termos (Não tinha nem um teto para morar);
  • Catacrese: uso de uma palavra para designar um conceito que, com sua aplicação continuada, termina se tornando corriqueiro (O pé da mesa se quebrou);
  • Antonomásia ou perífrase: substituição de um nome por uma expressão que os identifique com facilidade (Os quatro rapazes de Liverpool – em vez de falar Beatles);
  • Sinestesia: mesclar, numa mesma expressão, sensações percebidas por nossos órgãos do sentido (A luminosidade rasgante da lua sobre a terra).

Vícios de linguagem

Entre as figuras de linguagem também temos o que é considerado vício de linguagem, desviando-se de norma estabelecida para alcançar maior expressividade.

  • Barbarismo, que consiste em grafar ou pronunciar uma palavra em desacordo com o que estabelece a norma (pesquisa, em vez de pesquisa);
  • Solecismo, que é o desvio da norma culta na construção sintática ao falar ou escrever (faltam três dias, em vez de falta três);
  • Ambiguidade ou anfibologia, que é a construção de uma frase de tal modo que ela tenha mais de um sentido (O guarda deteve o suspeito em sua casa);
  • Cacófato: é o mau som produzido pela junção de duas palavras diferentes, resultando numa palavra com outro sentido (Paguei cinco reais por cada);
  • Pleonasmo, repetição desnecessária de uma ideia (Entre já para dentro);
  • Eco: repetição de palavras terminadas pelo mesmo som (O menino repetente mente alegremente).

Eufemismo

O Eufemismo nada mais é do que uma importante figura de linguagem, esta que emprega vários termos considerados mais agradáveis para que se possa suavizar uma expressão determinada. E ainda consiste em uma visualização de uma expressão.

É interessante ainda salientar que em uma série de materiais didáticos, existem vários exemplos considerados inadequados de eufemismo, e principalmente no que se refere á morte, como por exemplo “Ir para a terra dos pés juntos”, “Comer capim pela raiz” e “Vestir o paletó de madeira” são comuns nesses livros.

Expressões Populares

Todas as expressões populares vem trazendo um caráter cômico, o que poderá até mesmo atender em boas partes a intenção do eufemismo. E com isto a sua utilização em situações de grande impacto, como por exemplo a morte, acaba muitas vezes beirando ao grotesco, e a função desta figura de linguagem acaba por se perder. Como um exemplo mais adequado é interessante citar que o indivíduo na verdade “partiu”, ou que “deixou esse mundo”.

Exemplos de Frases

Ele é desprovido de beleza. (Em lugar de feio)
Você faltou com a verdade. (Em lugar de mentiu)
Ele entregou a alma a Deus. (Em lugar de: Ele morreu)
Nos fizeram varrer calçadas, limpar o que faz todo cão… (Em lugar de fezes)
Ela é minha ajudante (Em lugar de empregada doméstica).

Como é possível se ver o eufemismo vem como uma intenção por parte dos falantes ou ainda dos escritores de não acabar chocando o seu interlocutor ou mesmo o leitor. Caso estas afirmações aconteçam em caráter cômico vindo de um grande impacto de situações como a morte, é possível se subtrair a função tornando assim o eufemismo no que é chamado de disfemismo.

O disfemismo

O disfemismo nada mais é do que o oposto do eufemismo. E enquanto que o eufemismo acontece com a substituição de uma palavra ou de uma expressão rude, bem como desagradável por outra que seja de sentido agradável, já no disfemismo, existe ainda uma substituição de termos considerados normais por outros mais vulgares.

Silepse

A Silepse de acordo com o dicionário Aulete é “uma figura de linguagem em que as regras tradicionais da concordância sintática são contrariadas, usando-se em seu lugar a concordância de acordo com o sentido mais próximo”. À definição do dicionário, podemos acrescentar que a concordância ocorre de acordo com as idéias que as palavras expressam.

Segundo a acepção originária, essa figura de linguagem deveria referir-se apenas às concordâncias relacionadas ao número, porém, rapidamente ela também passou a ser aplicada em algumas anomalias de gênero e pessoa.

Hoje, o termo abarca praticamente todo o campo relacionado à CONCORDÂNCIA IDEOLÓGICA.

Silepse de Número

Pode ocorrer com termos coletivos ou quando o substantivo singular possuir uma concepção plural.

Deu-me notícias da gente Aguiar; estão bons.

(M. de Assis, OC, I, 1093.)

-E o povo de Marvalha? perguntava ele aos canoeiros.

Estão em São Miguel.

(J. Lins do Rego, ME, 63)

Silepse de Gênero

Ocorre com os pronomes de tratamento que possuem forma gramatical feminina, mas aplicam-se com freqüência a pessoas do sexo masculino.

– V. Exª parece magoado.

– Vossa Excelência está enganado.

Silepse de Pessoa

A pessoa que fala ou escreve se inclui no sujeito na 3ª pessoa do plural.

Todos entramos imediatamente.

(O. Lara Resende, BD, 25.)

Quando queremos abranger a pessoa a quem nos dirigimos em um enunciado cujo sujeito está na 3ª pessoa do plural, é permitido usar a 2ª pessoa do plural.

Mas suponho que todos sois da mesma opinião. Todos acordais em me condenar e abandonar.

(J. Régio, ERS, 83.)

Tanto no português do Brasil quanto no da Europa e da África é comum levar o verbo para a 1ª pessoa do plural, ao usarmos a palavra “gente”.

No fundo a gente se consolava, pensávamos em nós mesmos.

(Autran Dourado, IP, 27.)

Zeugma

A Zeugma é uma das formas da Elipse permite a omissão de um termo empregado na oração anterior.

Zeugma Simples

Quando o termo omitido é o mesmo empregado na frase anterior.

Na vida dela houve só mudança de personagens, na dele  mudança de personagens e de cenários.

(J. Paço d’Arcos, CVL, 249.)

Na vida dela houve só mudança de personagens, na dele (houve) mudança de personagens e de cenários.

(J. Paço d’Arcos, CVL, 249.)

Zeugma Complexa

Abrange os casos em que se subentende um verbo expresso anteriormente, mas sob outra flexão.

A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.

(C. Drummond de Andrade, R, 181.)

A igreja era grande e pobre. Os altares, (eram) humildes.

(C. Drummond de Andrade, R, 181.)

Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários dos Filipes.

(Camilo Castelo Branco)

Foi saqueada a vila, e (foram) assassinados os partidários dos Filipes.

(Camilo Castelo Branco)

Vamos brincar? Você joga para mim e eu para você.

Vamos brincar? Você joga para mim e eu (jogo) para você.

Assonância

A assonância é uma figura de harmonia cujos efeitos sonoros são obtidos através da repetição de vogais.

Observe no poema abaixo, do poeta português Eugênio de Castro, a repetição sistemática do som vocálico “e”.

Um sonho

Na messe, que enlourece, estremece a quermesse…
O sol, o celestial girassol, esmorece…
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos…

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros…
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves.

Flor! enquanto na messe estremece a quermesse
E o sol, o celestial girassol esmorece,
Deixemos estes sons tão serenos e amenos,
Fujamos, Flor! à flor destes floridos fenos…
Soam vesperais as Vésperas…
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros…

Como aqui se está bem! Além freme a quermesse…
– Não sentes um gemer dolente que esmorece?
São os amantes delirantes que em amenos
Beijos se beijam, Flor! à flor dos frescos fenos…

(Excerto de “Um Sonho” – Eugénio de Castro)

Aliteração

A aliteração é uma figura de linguagem de som. As figuras de som ou harmonia referem-se aos efeitos sonoros produzidos nas frases. Na aliteração, esses efeitos são
obtidos através da repetição de consoantes.

Veja no fragmento do poema abaixo o uso da desse recurso.

 “Violões que Choram” de Cruz e Souza

Vozes veladas,
veludosas vozes,

Volúpias dos violões,
vozes veladas,

Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos,
vivas, vãs, vulcanizadas.

Tudo nas cordas dos violões ecoa E vibra e se contorce no ar,
convulso… Tudo na noite,
tudo clama e voa Sob a febril agitação de um pulso.

Observe que nestes versos ocorre a repetição sistemática da consoante “v”. Essa repetição, aliada ao significado das palavras, produz a atmosfera de música exaltada pelo poema.

Hipérbato

Hipérbato (do grego hypérbaton “inversão”, “transposição”) é a separação de palavras que pertencem ao mesmo sintagma, ou seja, que pertencem a uma mesma unidade sintática, situada entre a palavra e a oração (p.ex.: as rosas brancas).

Essas que ao vento vêm

Belas chuvas de junho!

(J. Cardoso, SE, 16.)

Que arcanjo teus sonhos veio

Velar, maternos, um dia?

(F. Pessoa, OP, 11.)

Observação:

Em um sentido mais corrente, hipérbato é considerado um termo genérico para designar qualquer inversão de orem normal das palavras em uma oração, ou da ordem das orações em um período, com finalidade expressiva.

Elipse

A Elipse consiste na omissão, em uma frase, de uma palavra que se  subentende, ou seja, é a omissão de um termo que o contexto ou a situação permitem facilmente suprir.

À esquerda, panos de velhos muros, à direita, o campo deserto.

(V. Ferreira, A, 273.)

– O senhor está preso.

– Preso, eu?!

(C. Drummond de Andrade, CB, 93.)

Derivação Imprópria

A Elipse é responsável por inúmeros casos de Derivação Imprópria quando o termo expresso absorve o conteúdo significativo do termo omitido.

Veja nos exemplos abaixo:

a (cidade) capital

um (dente) canino

uma (igreja) catedral

uma folha (de papel)

A elipse como processo gramatical

Na Gramática, a elipse de um determinado termo somente deve ser invocada quando manifesta, mesmo assim, deve ser usada com muita prudência.

1.    Do sujeito:

(Eu) Abri a porta da rua, e com cautela a fechei. Num rufo (eu) corri ao macho que estava.

2.    Do verbo (total ou parcial):

Um Senhor. Até na miséria, (é) um senhor!

3.    Da preposição que introduz certos adjuntos:

Gael foi atrás dela, (de) mãos nos bolsos, falando calmo.

4.    Da preposição “de” antes da integrante que
introduz as orações objetivas indiretas e as completivas nominais:

Tem medo (de) que fique alguém fora da casa.

5.    Da conjunção integrante “que”:

Tentando evitar um vexame, solicitei (que) fosse a pena comutada.

A elipse como processo estilístico

1.    Na descrição esquemática de ambientes, de perfis, de estados de alma:

Uma espuma sanguinolenta na boca. Abafava. Escarros de sangue. O coração a falhar.

2.    Em anotações rápidas, como as de um diário íntimo:

Poucos feridos. Rara gente de luto. Nenhuma tristeza.

3.    Na enunciação de pensamentos condensados, provérbios, ditos sentenciosos ou irônicos:

Meu dito, meu feito.

4.    Nas enumerações, onde a inexistência do artigo, como dissemos no capítulo 9, costuma sugerir as idéias de acumulação, de dispersão.

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Quando voltar, à tardinha, minha pele vai estar que é só boi, vaca, ovelha, leite, couro, remédio, pasto, fumaça, sal, sol, suor.

 

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